A Minha Aldeia - José Porvinho

ALDEIAS FAMOSAS

A nossa aldeia é a mais importante do mundo.

Tal qual!

Tal qual a nossa família, a nossa casinha e concerteza que, a nossa barriguinha!

A nossa aldeia, mesmo quando já lá não habitamos - ou tal facto, até ajuda normalmente a concluir tal – ela foi e será sempre a nossa terra, o nosso habitat, o nosso cantinho do mundo mais intocável; onde temos as nossas raízes e onde encontramos daquele carinho especial, como em mais nenhum lugar do mundo.

Nutrimos a partir das velhas lembranças, dos melhores estímulos, bebemos a partir dos aromas mais ancestrais, dos melhores alentos.

É a partir destes estímulos e alentos, que nos seguramos e nos mantemos, bem firmes e até às mais longínquas paragens – é aí mesmo, que mais podemos e devemos engrandecer as nossas origens e sentir daquela salutar e muito própria... saudade.

Cada aldeia, por mais pequena e modesta que seja conta as suas histórias e acalenta e protege os seus, como mais nenhuma o poderá fazer.

Como ponto perdido no mapa, no qual nunca constou, nem consta; lá aparece na realidade no meio da paisagem, quando menos se espera.

Armando-se do chão todo o casario, enfileirado nas suas ruas estreitas, a confluírem no largo central, dominado pela capela e pela taberna da frente; como que a convidar a uma obrigatória paragem a um qualquer peregrino ou a outro tipo de transeunte mais ou menos cansado, mais ou menos desidratado!

Quase sempre fala-se das aldeias pelos piores motivos, associado a catástrofes, acidentes, crimes e afins.

Ainda bem que a minha aldeia não vem no mapa, nem nunca constou dos noticiários.

Conhecida sobretudo, por estar no centro de duas das aldeias mais famosas do país e por bons motivos, a Curia e o Luso, com o Bussaco por cima, também com aldeia incluída e tudo, de duas das mais jovens cidades: Anadia e Mealhada – digamos que paredes-meias, mas com Grada bem ao centro.

Grada, podemos dizer, que é o Centro dos Centros, no Centro do país.

Claro que a minha aldeia é também grande.

Grande de Grade sem n e ainda sagrada, de sã mais Grada.

Grada, vem obviamente pelos seus modos francos, de agradar; pelo léxico, de sagrada e pela prova provada, proveniente de tanto trabalho de transformação do solo em terra cultivada, de gradar.

Tirando este aparte “insuspeito”, não são muitas de facto as aldeias famosas pelos melhores motivos, além das nossas, é claro.

Recordo-me assim de repente de umas tantas estâncias turísticas e de Vilar de Mouros, de Vilar de Perdizes, de Vilar de Andorinho, o Vilar do Paraíso, do Vilar do actual 1º ministro (Vilar de Maçada) pois é, do Vilar de , de Vilar de...

A nossa aldeia mais incógnita, mas mais famosa por ser terra nossa e que mantém mais ou menos incólumes, a sua identidade, o seu cenário, a sua singeleza e que sobretudo, ainda sabe e conhece, os seus.

A nossa aldeia, é e ainda será, aquele nosso reduto mais intimista, como um tesouro sempre presente a que temos direito,usufruído pelos seus poucos filhos, no prazer do reencontro e na recompensa do regresso.

Ó nossa aldeia mais desconhecida, mas que nos acolhe e nos ampara e nos... responsabiliza!

José Porvinho - Sangue Latino



Os latinos à prior, são mais efusivos, participativos, expansivos, audazes aventureiros, reactivos “com sangue na guelra”, desalmadamente amorosos e entre outras mais coisas, com uma predisposição bestial para a boa loucura.

Orgulhamo-nos de ser latinos e sobretudo portugueses – mesmo bons patriotas.

Até podemos admirar também a maneira de ser, de estar e sobremaneira de fazer e das particularidades que têm os nórdicos e outros parceiros europeus, com melhor nível de vida do que nós; mas bem vistas as coisas, nós... é que também não queremos ser e fazer como eles. Eles talvez não se divirtam como nós e nós também não queremos deixar de nos divertir tanto... à boa maneira latina.

Claro que julgamos isso d’aqui, a esta distância e analisado a quente, como também é nossa característica estruturante. Mas, uma coisa é certa, o grosso dos nossos emigrantes, por lá não fazem as coisas como cá – trabalham mais, mas sobretudo melhor; muito mais organizados mas também sem tanto rega-bofe.

Realmente, este nosso cantinho é único e especial, apesar de todos os contra-tempos, maiores defeitos e de algumas possíveis características que não abonam muito a nosso favor, mas...somos como somos – latinos de gema e portugueses de coração.

Mas, onde se encontram e vivem sobremaneira estas nossas particulares características, é ao nível da aldeia, dos bairros mais antigos e zonas históricas – mas, nem todas.

Quem cresceu e viveu num meio destes, desenvolveu tamanha série de vivências, afectos, afinidades... que faz de nós, aldeões de estirpe ou habitantes mais bairristas dos núcleos urbanos mais antigos e tradicionais; os verdadeiros latinos de raça – no carácter e no tamanho superior com que se medem e se metem nas coisas da vida.

Sobretudo, nas coisas boas da vida.

Tudo na maior, todos sadiamente mais loucos.

Não venham criticar estas coisas, supostamente mais pacóvias; porque elas são aquilo que mais genuinamente, todos nós também quereríamos ser; nem que fosse só por uma férias.

Depois, outras e talvez mais outras; até lhe tomarmos o gosto de vez.

Pois... talvez, como bons latinos mesmo!

De facto, só sendo e pertencendo; estando lá e vivendo; fazendo e sentindo; participando e reconhecendo em nós, um elo demasiado forte e fundamental de toda aquela nossa família que abraça toda a aldeia ou todo o bairro e que abarca toda a sua população.

Para quem nunca foi destes, não pode reconhecer todos os seus sabores mais fortes e os seus argumentos mais fortemente latinizados – no bom sentido.

Muito menos, não pode reconhecer a identidade de quem ainda tem espaço próprio, datas particularmente festivas e todos os mais humildes desenlaces que fazem dos sítios mais pequenos, grandes no que propiciam e dão – imperdível.

A minha aldeia é dessas e eu muito orgulhosamente sou dos seus.

Mais Segurança...Para Todos

E TODOS ESPERAM POR MAIS SEGURANÇA E TODOS ESPERAM;
POR UM LADO QUE OS DEIXEM EM PAZ E POR OUTRO, QUE OS PROTEJAM

Sobre a crescente vaga de criminalidade no nosso país, o Estado tem que se defender dos cidadãos contra os cidadãos, pelos cidadãos.
Passo a explicar melhor: o Estado tem que se defender dos cidadãos criminosos, defendendo os cidadãos pacatos, pela segurança de todos.
É que também já há por cá luta de gangs – por outras palavras – luta pelos domínios do crime. Ou seja; ladrão contra ladrão, criminoso contra criminoso.
É verdade; até os criminosos reclamam por mais segurança!
Até os ladrões proclamam por mais oportunidades!

Futebol - 120 vezes...

- Já respondi a isso para aí 120 vezes – disse o Sr. Scolari para os jornalistas, calando-os pela centésima vigésima vez e a primeira depois de já não ser o seleccionador / treinador nacional.
De facto, quando um treinador embirra com um jogador, o jogador está tramado!
Mas do mal o menos; pois sempre é melhor embirrar o treinador duma selecção do que de um clube, porque sempre lhe sobram todos os muitos jogos que faz (que fez) ao serviço do seu clube, para alimentar tanta pergunta e tanta polémica.
E de poder demonstrar na prática de como é que se defende da melhor maneira a sua posição.
Mas e porque é que com tanta pedra colocada sobre o assunto, os jornalistas continuam a fazer a mesmíssima pergunta?
Sobre isso, a resposta deverá ser necessariamente a mesma.
É que eles esperavam sem dúvida por outra resposta. E até nós sabemos, que sempre houve outra resposta.

1ª conclusão: quando alguém responde tanta vez à mesma pergunta e sempre da mesma maneira, isso é sinal evidente de que a resposta está errada; nomeadamente quando tantos outros a continuam a formular.
2ª conclusão: quando alguém vos ocultar a verdade, voltem a fazer a mesma pergunta as vezes que forem necessárias, para que o outro fique a saber que sabem da resposta… que não foi dada!

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